Natureza
Mais de 12 mil peixes voltam ao seu habitat de origem
Laboratório de Piscicultura Estuarina e Marinha da Furg realizou a soltura de miragaia na costa do Rio Grande
Divulgação -
Um lote de mais de 12 mil espécimes do peixe marinho conhecido por miragaia foram soltos ontem na orla marítima em frente a Estação Marinha de Aquicultura do Laboratório de Piscicultura Estuarina e Marinha da Universidade Federal do Rio Grande (Lapem/Furg).
Ao longo do ano os animais foram criados no laboratório por uma equipe de mais de 20 pessoas, envolvendo profissionais do Lapem, em conjunto com estudantes do Programa de Pós Graduação em Aquicultura, bem como bolsistas de iniciação científica dos cursos de Oceanologia e Biologia. A criação da miragaia foi feita em tanques específicos para a produção de peixes no laboratório, que se localiza na orla marítima do bairro Querência no Balneário Cassino, em Rio Grande.
Segundo o responsável pelo Lapem, o oceanógrafo Luís André Sampaio, a reprodução da miragaia ocorre no começo do verão. As larvas são criadas até tornarem-se juvenis, estágio de vida adequado para o repovoamento desses animais. A miragaia habita a região costeira e o estuário da Lagoa dos Patos. "Este é um trabalho contínuo que deve se repetir todos os anos, muito importante para o equilíbrio da espécie na região", declara Sampaio.
O Portos RS vem apoiando esta iniciativa e buscou auxílio financeiro para custear essa primeira fase. Ao participar de uma das solturas no canal do Porto do Rio Grande, próximo aos molhes da Barra, o diretor da Portos RS, Henrique Ilha afirmou que o projeto tem um grande mérito de iniciar um repovoamento de uma espécie que está na memória afetiva dos gaúchos que visitavam o Cassino ou locais no canal e encontravam esses peixes gigantes quando em fase adulta.
Além disso, o repovoamento tem diversas fases que envolvem a educação ambiental das comunidades ribeirinhas, esforço esse vital para o sucesso da iniciativa, podendo provocar outras reflexões acerca do cuidado com nosso ambiente e suas espécies.
Paulo Roberto Santos dos Santos, em seu trabalho de mestrado, apresentado em 2015, definiu a Miragaia (Pogonias cromis) como um peixe que por muitos anos foi um importante recurso pesqueiro, e depois passou a ser sobreexplotado e ameaçado de extinção. As capturas que atingiram 1400 t em 1976, decaíram posteriormente e foram inexistentes nos anos de 2004, 2005, 2008, 2009 e 2010.
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